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Fiéis de seita religiosa investigada em MG acreditam em ameaça de entidade sobrenatural, diz PF
Treze pessoas ligadas à seita "Traduzindo o verbo: a verdade que marca" foram presas na terça-feira e 17 empreendimentos do grupo foram fechados.

13/02/2018 | 19:58
Poços de Caldas/MG

 

 

Os fiéis que fazem parte de uma seita religiosa, alvo de investigação da Polícia Federal em Minas Gerais e outros dois estados, acreditam que são ameaçados por uma entidade sobrenatural. A afirmação é do delegado da Polícia Federal em Varginha, Alexsander Castro de Oliveira.

"As pessoas estão doutrinadas psicologicamente, elas realmente acreditam que se saírem dali estão ameaçadas por uma entidade sobrenatural", disse o delegado.

 

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Na terça-feira (6), 13 pessoas ligadas à seita "Traduzindo o verbo: a verdade que marca", antes conhecida como "Comunidade Evangélica Jesus, a verdade que marca" foram presas e outros 17 empreendimentos do grupo foram fechados após as investigações apontarem que os fiéis trabalhavam em condições análogas à escravidão. Ainda segundo as investigações, a seita teria triplicado de tamanho nos últimos 3 anos. De lá pra cá, passou de 315 fiéis aliciados para cerca de mil pessoas trabalhando em condições precárias. A mesma seita já havia sido alvo de outras duas operações da PF em 2013 e 2015.

Nesta quarta-feira (7), cerca de 30 funcionários de um restaurante que foi fechado em Poços de Caldas foram ouvidos pelo Ministério do Trabalho. O restaurante Poços Grill é um dos mais luxuosos da cidade. Na internet, os responsáveis descrevem o local como sendo um "ambiente maravilhoso, impecável, muito amplo e com variados ambientes".

Para a Polícia Federal, os funcionários do restaurante seriam fiéis que estariam trabalhando em situação análoga à escravidão. Segundo a PF, a Prefeitura de Poços de Caldas e das outras cidades onde a operação aconteceu já foram notificadas para que possam cassar o alvará de funcionamento dos estabelecimentos ligados à seita.

"Os de Poços de Caldas e de Pouso Alegre, por exemplo, eram os empreendimentos mais luxuosos da cidade e também Minduri e São Vicente de Minas, que é onde estão instalados a maioria deles, chamou a atenção pelo número exagerado de empreendimentos dessa seita, de fiéis trabalhando", completou o delegado da Polícia Federal.

As investigações começaram em 2011, depois que ex-membros da seita denunciaram que fiéis eram convencidos a entregar todos os bens e a viver em fazendas sob a promessa de dividir os lucros.

"Agora a gente vai entrar em um momento de juntar essas informações com as informações documentais da empresa, com recibos de pagamentos de salário, registro de trabalhadores, as folhas de ponto para fazer uma avaliação das jornadas de trabalho e com essas informações a gente pretende elaborar um relatório para ser encaminhado à Justiça", disse o chefe do setor de inspeção do Ministério do Trabalho, Alexandre Scarpelli.

A administradora do Poços Grill foi uma das 13 pessoas presas durante a operação. Só no Sul de Minas foram oito prisões. Duas delas em Pouso Alegre, onde dois restaurantes também foram fechados: o Circuito das Águas e o Café Bombom.

Outras três pessoas foram presas em São Vicente de Minas e duas em Minduri. Além de restaurantes, a seita também administrava pelo menos seis fazendas. Uma delas possuía 300 hectares e mais de 200 trabalhadores. Para a polícia, todos trabalhavam em situação análoga à escravidão.

Nove pessoas continuam foragidas. Entre elas está o pastor Cícero Vicente de Araújo, apontado como principal líder da seita. Os presos foram transferidos ainda na terça-feira para o Presídio Nelson Hungria, em Belo Horizonte.

"De lá pra cá eles ficaram quase 10 anos sem eu vê-los, e eu tentando, fazendo vídeo, mandando e indo atrás, porque eu sabia que era uma lavagem cerebral, fazendo tudo que eu podia porque era a única filha que eu tinha", disse Valdete Ferreira da Silva, mãe de uma fiel da igreja, que se mudou de São Paulo para se juntar à seita em 2006.

 

Fonte: G1

 

 

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